Este é um dos cases que passaram durante os créditos da série “Segunda Chamada”.

A falta de estrutura familiar é um dos grandes responsáveis quando uma criança ou adolescente apresenta desvios de comportamento. A formação de um indivíduo começa cedo, em um trabalho conjunto entre a casa e a escola. Quando o ambiente desarmonioso de casa se soma ao difícil acesso à educação de qualidade, propicia com que cada vez mais jovens busquem nas ruas algum tipo de apoio.

No caso da estudante Raquel Souza Borges, a relação truculenta que mantinha com o pai foi determinante para que ela se envolvesse com drogas ilícitas, afastar-se da casa em que vivia e, por fim, abandonasse a escola. “Eu morava com meu pai e não tinha um relacionamento bom com ele. Usava drogas e vivia na rua. Eu não gostava de ir a escola. Na verdade, eu não ia à escola”, relata.

Nascida no interior de Minas Gerais, em Paracatu, onde morava com a madrinha e ainda visita constantemente seus irmãos, Raquel mudou-se para Brasília, para morar com seu pai, Ronaldo, aos 12 anos. Envolveu-se no submundo muito cedo. E poderia ser hoje somente mais uma entre as 100 mil pessoas que moram nas ruas do Brasil. Entretanto, com uma ajuda do destino e de um programa do Serviço Social da Indústria (SESI), a jovem ganhou nova chance.

Aos 15 anos retomou os estudos, teve que revisar da quinta à sétima série, para assim conseguir finalizar o Ensino Fundamental. Seguiu estudando na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e concluiu o Ensino Médio. Nessa fase, durante um ano, ela estudava pelas manhãs e fazia um curso profissionalizante nas tardes, em todos os dias úteis. “Você pode escolher o tipo de curso que quer fazer, e isso é ótimo”, conta Raquel. Que não acreditava mais em si, e no SESI redescobriu a capacidade de sonhar.

Raquel conta que a pedagoga do programa foi fundamental para sua adaptação e evolução. “O pessoal lá é sensacional. Hoje eu estudo, trabalho, cuido da minha vida sozinha. Eu tenho outra visão do mundo, por causa dos estudos. Quando eu entrei, não tinha vontade de estar lá. Eles lutaram por mim. Todos acreditaram em mim quando nem eu acreditava mais”.

Grata pela oportunidade e cuidado, Raquel percebeu que a melhor forma de retribuir era continuar lutando por seu futuro. Por isso, após concluir a educação básica, a jovem está empenhada em terminar a faculdade de Administração. Ela concilia e financia o curso universitário com o trabalho.

Caminhada profissional de sucesso

Seu currículo começou a ser preenchido com diversas experiências marcantes, graças aos cursos que realizou no SESI, gratuitamente. “Me incentivaram e eu me inscrevi no Jovem Aprendiz. Depois consegui vagas em outros cursos que o próprio SESI proporciona. A cada aula eu ia renascendo, e querendo algo mais para a minha vida”, conta Raquel, que conseguiu, inclusive, trabalhar como jovem aprendiz na Latam Linhas Aéreas.

Hoje, ela pertence a equipe administrativa de um laboratório de medicina e diagnóstico. E quer mais, “futuramente eu quero virar uma gestora ou coordenadora. Quero comprar um carro e uma casa. Em 10 anos, quando eu estiver financeiramente estável, quero formar uma família”.

Exemplo vivo

Por isso, quando é convidada para palestrar sobre sua história, Raquel aceita sem pensar duas vezes. E a cada vez que conta a sua trajetória, Raquel inspira outros jovens, que assim como ela precisou um dia, carecem de bons motivos para dar significado às suas vidas. “Quando você acha que a sua vida e a sua história são ruins, sempre aparece uma pior. Então, fica imaginando como foi aquela dor, o que aquela pessoa passou, e isso te faz mais humano”, explica Raquel com uma sensível percepção de como a compaixão faz as pessoas serem capazes de se colocar no lugar das outras e aprender com as experiências que ouvem.

Atualmente, avalia ser uma pessoa completamente diferente e se diz realizada. Ama a sua rotina e afirma convicta que se sentir útil faz um bem enorme pra sua alma. Este amor próprio ilumina suas palavras e transmite a sensação de missão cumprida no resgate a autoestima. Mas confessa a luta para chegar até aí. “Antes eu tinha um certo bloqueio de falar o que eu passei. Mas aprendi que não é vergonhoso. É bom você expor sua história de vida, porque acaba sendo um exemplo para alguém. Eu tenho muito orgulho de quem eu me tornei”. E no fim, é o que vale mesmo a pena. Conseguir ter orgulho de ser quem se é.


Para ver o depoimento de Raquel Borges e de outros alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Serviço Social da Indústria (SESI) você pode:

  • Acessar o GloboPlay, se for assinante, pelo link: https://globoplay.globo.com/segunda-chamada/t/DYpvss7pz5/
  • Se não for assinante, acompanhar a série na TV Globo. Os episódios vão ao ar com os depoimentos dos nossos alunos durante os créditos finais dos programas nos seguintes dias:
    • 19 de novembro (Juçara Moraes, Raquel Borges e Aline da Cunha);
    • 03 de dezembro (Marilson Melo, Leila Lobato e André da Silva); e
    • 10 de dezembro (Tânia Souza, Luciana do Nascimento e Vanuse Moura).
  • Ou navegue em www.sempresesisenai.com.br/segunda-chamada para ver mais cases como este.