Foto: Mauricio Fidalgo/ Globo
Este é um dos cases que passaram durante os créditos da série “Segunda Chamada”.

“Sempre fui apaixonado por aviação desde criança”, conta Weberte. Esse entusiasmo constantemente foi alvo de piadas entre amigos. Quando se gabava dizendo que ainda faria um curso de piloto, ouvia “vai se formar em piloto de pipa”, entre outras coisas. Ninguém levava a sério seu sonho. E os amigos deixavam evidente o estigma da pobreza e falta de oportunidade: “só quem faz esse curso é gente rica. Você não vai conseguir não”.

E a vida por muitas vezes acentuou os obstáculos. Filho de pais divorciados, Weberte morou com a mãe e as duas irmãs. Maria José, de 33 anos, que hoje tem o ensino médio completo após também ter conquistado seu certificado no curso Educação de Jovens e Adultos (EJA). E Anisia Gisele, de 15 anos, que frequenta a escola regularmente.

Jornada de superação

Weberte frequentou as aulas até o final do ensino fundamental, quando precisou parar de estudar para vender sacolé na rua e sustentar a família. Uma grande responsabilidade para um jovem de 15 anos. Em 2012, quando já tinha atingido a maioridade, começou a trabalhar em uma das maiores indústrias de calçados do Brasil. Dentro da fábrica conheceu o Serviço Social da Indústria (SESI), em mais uma iniciativa da instituição em levar capacitação profissional e desenvolvimento pessoal aos trabalhadores industriais. “Não queria passar toda a minha vida em uma linha de produção. Então, quando vi a oportunidade de voltar a estudar dentro do meu trabalho, não podia perder”, conta Weberte que engajou nos livros logo no primeiro ano.

Ele queria crescer dentro da empresa, como em outra carreira que pudesse ter fora de lá. Criou uma boa relação com os professores, e cita um em especial: “Professor Carlos me incentivava muito a estudar, mesmo antes de me matricular”. Foi um período intenso, mas recompensador, descreve. “Foi bem dificil porque eu saía de casa as cinco horas da manhã para trabalhar. Meu horário na fábrica era de seis às duas horas da tarde, e depois ia direto para o SESI estudar. Ficava cansado, mas eu precisava continuar”. Foram 3 semestres, e Weberte desabafa que diariamente durante esse período pensava na sua vontade de pilotar. “Tinha um avião que passava todo dia na escola bem baixinho. E eu repetia que ainda ia fazer esse curso”. Mas como de costume, ninguém levou fé.

Concluiu o EJA no primeiro semestre de 2013. E contrariando todas as expectativas, surpreendendo a todos, já em janeiro de 2014 iniciou seu curso de Ciências Aeronáuticas em uma universidade privada. Para pagar as mensalidades, correu atrás e conseguiu um financiamente estudantil. “O ensino depende de cada um. Se vc está disposto a aprender, é possível aprender em qualquer lugar”. Ele acredita que as pessoas não podem desestimular ao sofrer reprovações, porque encontram dificuldades de aprendizagem, ou não possuem recursos financeiros. Weberte defende que a vontade é a força motriz do indivíduo para ser capaz de aprender a qualquer custo.

O sucesso não tardou

E o empenho desse paraibano está garantindo a ele três licenças de pilotagem. A privada, para guiar avião particular; a licença comercial, para aviões executivos, onde segundo ele o mercado é maior e a concorrência é menos acirrada; e a licença aérea, para as companhias aéreas comerciais. A carreira de um piloto ainda depende de outros fatores além do diploma. “A licença comercial é perfeita para conseguir horas de vôo, que é uma questão importante para comprovar a experiência de um piloto”, ressalta ele. E complementa que as companhias aéreas pedem muita experiencia em horas de voo para contratação.

Como as aulas de aviação se estendem aos sábados, Weberte precisou trocar de trabalho. Saiu da indústria de calçados, e atualmente trabalha na Prefeitura da cidade. Cadastra pessoas para receber benefícios, como o bolsa família. Mas sem perder o foco no crescimento profissional. Solteiro, ainda não formou família ou tem filhos. Compartilha carinhosamente “ainda continuo morando com mainha”. Que se enche de orgulho em ter um piloto na família. Conta para todos as conquistas do filho. Inclusive àqueles que não acreditam que tudo é possível. Com certeza ficaram com a lição: basta querer.


Para ver o depoimento de Carlos Alberto Travasso e de outros alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Serviço Social da Indústria (SESI) você pode:

  • Acessar o GloboPlay, se for assinante, pelo link: https://globoplay.globo.com/segunda-chamada/t/DYpvss7pz5/
  • Se não for assinante, acompanhar a série na TV Globo. Os episódios vão ao ar com os depoimentos dos nossos alunos durante os créditos finais dos programas nos seguintes dias:
    • 19 de novembro (Juçara Moraes, Raquel Borges e Aline da Cunha);
    • 03 de dezembro (Marilson Melo, Leila Lobato e André da Silva); e
    • 10 de dezembro (Tânia Souza, Luciana do Nascimento e Vanuse Moura).
  • Ou navegue em www.sempresesisenai.com.br/segunda-chamada para ver mais cases como este.