Foto: Mauricio Fidalgo/ Globo
Este é um dos cases que passaram durante os créditos da série “Segunda Chamada”.

“Sem educação não somos nada. Só quem frequentou é que sabe o bem que faz”. Com essa frase, Carlos começa a contar a sua história. Após 30 anos afastados dos livros, para trabalhar e sustentar a família, retornou à sala de aula justamente no local onde garantia seu ganha pão. É funcionário de uma indústria de papéis que tem o costume de abrir espaço para palestras e cursos.

Assistindo a uma orientação sobre higiene bucal, recebeu um panfleto sobre formações educacionais do Serviço Social da Indústria (SESI). Interessou-se e decidiu se matricular. Em setembro de 2017 iniciou o curso, e hoje, com o diploma na mão, foi promovido a Líder da Caldeiraria e Encarregado do setor de Projetos.

“Pensei em desistir várias vezes. Mas com o apoio dos professores peguei gosto e continuei”, conta. Às vezes, Carlos ainda vai lá visitar os amigos que ainda não terminaram. “Os professores me chamam para dar depoimento e incentivar os outros alunos”.

Desistir nunca

Parece uma trajetória fácil. Onde tudo acontece num estalar de dedos. Mas apenas parece. Na verdade, precisamos entender porque a promoção só chegou agora, aos 52 anos de idade, 30 deles trabalhando na mesma indústria. Importa entender que dificuldades Carlos enfrentou para somente na vida adulta ter acesso à conclusão de sua formação educacional.

Trajetória de superação

Carlos Alberto teve uma infância difícil. Após a separação dos pais, foi um dos 3 irmãos que foram morar com o pai em Pereira Barreto, no interior de São Paulo. Enquanto outros 2 irmãos permaneceram com a mãe em Mirandópolis, também no interior do estado, onde todos nasceram. Classifica esse fase como “período tenebroso” devido às agressões constantes que sofria. “Meu pai era muito violento”, relata. E por conta disso, diz: “só pensava em sair de casa e me livrar daquela violência”.

Não eram somente essa adversidade. Existia a pobreza. Por também pertencer a uma família com poucos recursos, precisava desde criança ajudar nas despesas da casa. A escola deixou de ser uma prioridade. “Era difícil ir para a escola e depois ainda trabalhar. Aos 16 não aguentei. Parei de estudar”. Cursou até a sétima série do ensino fundamental, com 15 anos. Mas guarda na lembrança as cores do uniforme e a imagem da escola estadual do bairro. “Foi onde aprendi a cantar o hino nacional”, completa saudoso.

Próximo à maioridade, se alistou no exército. Via no serviço militar uma solução para sair de casa e fugir da violência paterna. E de fato nunca mais voltou a morar com o pai. Do exército ao trabalho na indústria de papéis, conseguiu construir sua autonomia. Teve dois filhos, o primogênito, Diego, logo aos 18 anos, fruto de uma relação passageira. E o segundo, Carlos Aberto Júnior, aos 25 anos, quando já era casado com Eloísa, sua esposa.

Ser pai exige responsabilidade. Aos 19 anos, Carlos já pagava pensão. Os filhos precisam comer, estudar, se vestir. Por isso, o trabalho estava sempre em primeiro lugar. A pedido do patrão foi de norte ao sul do país. Se estabilizando, como último paradeiro, em Feira de Santana, na Bahia. Com esse ciclo, pode proporcionar aos filhos as condições necessárias para que eles tivessem um desenvolvimento tranquilo, acesso a direitos básicos e a serenidade de ser criança, ir à escola e brincar.

Hoje, os dois concluíram a etapa escolar e o mais novo já tem curso superior. Carlos acredita que a educação é a maior riqueza que alguém pode ter, capaz de transformar a vida. “Nossa! A educação mudou o meu mundo. Mudou tudo. Como convivo com meus colegas de trabalho, com minha família. É muito interessante como ela te transforma. Mudou conceitos fundamentais que vou levar para o resto da vida e vou ensinar aos meus filhos”.


Para ver o depoimento de Carlos Alberto Travasso e de outros alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Serviço Social da Indústria (SESI) você pode:

  • Acessar o GloboPlay, se for assinante, pelo link: https://globoplay.globo.com/segunda-chamada/t/DYpvss7pz5/
  • Se não for assinante, acompanhar a série na TV Globo. Os episódios vão ao ar com os depoimentos dos nossos alunos durante os créditos finais dos programas nos seguintes dias:
    • 19 de novembro (Juçara Moraes, Raquel Borges e Aline da Cunha);
    • 03 de dezembro (Marilson Melo, Leila Lobato e André da Silva); e
    • 10 de dezembro (Tânia Souza, Luciana do Nascimento e Vanuse Moura).
  • Ou navegue em www.sempresesisenai.com.br/segunda-chamada para ver mais cases como este.