Preparando para o Futuro

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Setor produtivo passa a exigir novas habilidades: as soft skills

Capacidade de gerir o próprio tempo e de trabalhar em equipe são exemplos de competências socioemocionais que o profissional precisa ter para se destacar no mercado de trabalho

Dominar a teoria e a técnica para realização de tarefas está deixando de ser atributo suficiente para um profissional se destacar no mercado de trabalho. Ele precisa, também, estar apto a trabalhar em equipe, saber se comunicar de forma eficaz, ter postura ética e ser hábil na gestão do tempo, por exemplo. Essas habilidades são o que os especialistas da área chamam de soft skills.

Cada dia mais valorizadas pelo setor produtivo, as soft skills podem ser definidas como competências socioemocionais, inerentes à personalidade e ao comportamento do profissional. Decorrem de uma formação muito mais ampla, que envolve, entre outros fatores, as experiências pessoais, a bagagem cultural, a criação e a educação de cada indivíduo.

Distinguem-se das hard skills, habilidades ensinadas em uma capacitação, como o uso de ferramentas e conhecimentos profissionais. Mas as soft skills também podem, sim, ser aperfeiçoadas no próprio trabalho – quando a empresa reconhece e estimula potenciais ou dá feedbacks ao colaborador, por exemplo – ou mesmo durante a formação técnica.

Saber atuar em equipe é uma das habilidades consideradas fundamentais para o bom funcionamento das atividades na empresa

Criatividade aplicada à inovação

Aperfeiçoar as soft skills de seus alunos é uma das preocupações metodológicas dos cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que sempre buscou promover a aprendizagem de acordo com as necessidades específicas de cada estudante.

O objetivo é fazer com que o aluno, ao chegar ao mercado profissional, não apenas reproduza técnicas aprendidas, mas esteja apto a planejar, tomar decisões e realizar atividades com autonomia. “Buscamos estas competências em todos os níveis hierárquicos”, diz Daniela Metzger, especialista em Gestão de Pessoas da Philip Morris.

Em um cenário de constante transformação, abertura a mudanças, resiliência, agilidade de aprendizagem e empreendedorismo – no sentido de buscar soluções inovadoras – são críticos para o sucesso das equipes e da organização” Daniela Metzger, especialista em Gestão de Pessoas da Philip Morris

O especialista de desenvolvimento industrial Marcello José Pio destaca a criatividade como uma soft skills essencial para o jovem que chega ao mercado do trabalho neste momento. “Ele será capaz de criar novos produtos e processos, mas, fundamentalmente, é importante que saiba transformar o que ele criou em inovação, em algo comercializável, em um novo, aderente às necessidades desse mercado diversificado”.

Veja no vídeo as explicações de Marcello José Pio:

Novo profissional para nova realidade

As soft skills se tornam mais valorizadas, sobretudo, diante do avanço tecnológico, quando muitas atividades antes realizadas por humanos passam a ser realizadas por máquina. Essas competências é que vão diferenciar a atuação do homem do trabalho feito por robôs, acredita a professora Claudia Costin, diretora do Ceipe da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em setembro, durante o evento Educação 360, realizado pelos jornais O Globo e Extra com patrocínio do Serviço Social da Indústria (SESI), a educadora apontou quais seriam, em sua opinião, as competências que são imprescindíveis a um profissional para que ele se mantenha à frente da máquina.

Muitas coisas que o cérebro humano pode fazer podem ser automatizadas ou repassadas para robôs, mas a empatia, por exemplo, não. A empatia é o que nos faz humanos" Claudia Costin, diretora do Ceipe da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Na lista de Claudia entram resolução colaborativa de problemas; empatia; autocontrole e autoeficácia; pensamento sistêmico e crítico; agilidade para navegar em diferentes contextos culturais; curiosidade, criatividade e imaginação; aprender ao longo da vida; protagonismo, cidadania global e saber empreender a própria vida.

Gestores também precisam rever aptidões

As novas exigências do mercado não isentam aqueles que já chegaram em patamares mais altos da carreira. Os gestores também terão que descobrir novas aptidões naturais para que possam ir adiante. É o que mostra a pesquisa “A Revolução das Competências 2.0”, divulgada em março deste ano pelo ManpowerGroup, agência internacional de emprego e de negócios, com sede em Milwaukee, Wisconsin.

De acordo com o estudo, 80% das capacidades de liderança permanecem as mesmas há algum tempo: adaptabilidade, motivação, persistência e inteligência. No entanto, “os líderes de hoje devem ser capazes de ousar para liderar e estar preparados para assumir fracassos”, diz a pesquisa.

O estudo diz ainda que os líderes precisam alimentar a capacidade de aprendizagem, acelerar o desempenho e promover o empreendedorismo. E, além de tudo isso, estimular o potencial nos outros. Ou seja, saber reconhecer e estimular as soft skills de seus comandados.