Preparando para o Futuro

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Robótica eleva a produtividade e beneficia a educação e a saúde

Uso de robôs tornou-se indispensável para realizar desde atividades pesadas nas fábricas até cirurgias minimamente invasivas em hospitais. Além disso, é eficiente recurso didático em sala de aula

Por muito tempo, associamos a ideia de robô a réplicas mecânicas de humanos, presentes em filmes de ficção científica, como O Exterminador do Futuro e Blade Runner. Mas, longe desse universo fantástico, os robôs ganham na realidade atual aspecto e utilidade bem diferentes.

A robótica (ramo tecnológico que engloba computadores, robôs e computação) está cada vez mais presente em nosso dia a dia. Em 2017, 387.000 robôs industriais foram adquiridos no mundo todo, 31% a mais que o ano anterior (294.300 unidades vendidas), de acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR).

Robôs: Dispositivos eletromecânicos ou biomecânicos (ou um grupo deles) capazes de realizar trabalhos de maneira autônoma ou pré-programada. Costumam ser usados para realizar ou facilitar tarefas difíceis para os seres humanos.

Essas máquinas se tornaram essenciais na linha de produção das fábricas. No entanto, seu uso se estende a diferentes áreas de atividade, a exemplo da saúde. Para se ter ideia, de quatro a seis cirurgias robotizadas são feitas por semana o Instituto Nacional do Câncer (INCa), no Rio de Janeiro, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

E as aplicações desse tipo de tecnologia só crescem, criando novas possibilidades em áreas tradicionais, como é o caso da educação. Os robôs aparecem como uma forma lúdica e ativa de aprendizagem. Atualmente, as 459 escolas do Serviço Social da Indústria (SESI), de ensino fundamental e médio, em todo o Brasil, contam com a robótica no currículo.

 

 

Estudo da robótica leva nova dinâmica à sala de aula

O uso da robótica na sala de aula é a forma mais eficiente de apresentar o universo digital a crianças e jovens. Afinal, quanto mais cedo o contato com a tecnologia, mais aptidão eles vão adquirir para se destacarem como profissionais no futuro mercado de trabalho – onde aumentarão as oportunidades para quem tiver mais qualificação.

“A robótica torna o aprendizado mais divertido, porque é a partir da prática que o aluno constrói o próprio conhecimento. Ele acaba se interessando mais. Isso desenvolve a criatividade e o raciocínio lógico”, afirma Douglas Macharet, doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde hoje dá aulas no Departamento de Ciência da Computação.

O professor de Fisioterapia do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, Cláudio Scianni, teve a prova disso na prática. Ele conta que, desde que passou a adotar a robótica em sala de aula, notou grande diferença no rendimento dos alunos. A atenção e os resultados obtidos por eles nas avaliações melhoraram significativamente, garante Scianni. Ouça o depoimento do professor:

Professor do curso de Fisioterapia fala como a robótica melhora o desempenho dos estudantes

O ex-competidor e hoje doutor em Neurociência, Lucas Remoaldo Trambaiolli, por sua vez, viveu a experiência da perspectiva do estudante. “Todo aprendizado de lógica, programação e estruturação de códigos que uso hoje em dia são aprendizados da época da robótica. Foi no torneio que comecei a pensar na tecnologia para resolver os problemas das pessoas”, diz. O torneio a que ele se refere é o Torneio SESI de Robótica FIRST Lego League, que tem o Serviço Social da Indústria (SESI) como organizador oficial no Brasil desde 2013.

Uso da robótica em sala de aula melhora rendimento e aumenta interesse de alunos

Torneio incentiva criatividade e inovação entre os jovens

O Torneio SESI de Robótica FIRST Lego League é uma competição entre estudantes de 9 a 16 anos, de escolas públicas e particulares. A cada temporada, os participantes são desafiados a desenvolverem, em equipe, soluções inovadoras para determinados temas – na temporada 2017/2018 foi Hydro Dynamics.

Durante a competição, os estudantes também devem planejar, projetar e construir robôs com peças Lego. O robozinho terá de cumprir missões na mesa da competição, em partidas de até dois minutos e meio. A avaliação que aponta os vencedores considera também a capacidade de cada equipe de trabalhar em grupo.

Enquanto para as crianças você ajuda a ensinar física e matemática, no ensino superior podemos ensinar anatomia e biomecânica. As coisas ficaram mais claras e as dificuldades que eles tinham deixaram de existir" Cláudio Scianni, professor de Fisioterapia do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte

Lucas Remoaldo Trambaiolli participou da primeira edição, em 2004, quando tinha 14 anos. Depois disso, atuou como juiz em várias temporadas. “Com o torneio mostrando temáticas para a gente resolver problemas aplicando a robótica, percebi que seguir a área tecnológica seria uma possibilidade para ajudar as pessoas”, ele conta.

Isso o levou a cursar Engenharia Biomédica e a fazer mestrado em Neurociência. Hoje com 28 anos, Trambaiolli viajou no ano passado ao Canadá para cursar parte do doutorado em Neurociência, que começou na Universidade Federal do ABC, em São Paulo. Ele pesquisa sobre como controlar o computador apenas com a imaginação, com dois focos: reabilitação motora e reabilitação psiquiátrica.

Robôs proporcionam cirurgias menos invasivas e mais rápidas

Quando chegar, enfim, ao mercado de trabalho, Lucas Remoaldo Trambaiolli certamente não enfrentará o mesmo problema que o médico Ullyanov Toscano. Cirurgião de cabeça e pescoço, Toscano sentiu dificuldades quando o hospital em que atua, o Instituto Nacional do Câncer (INCa), no Rio de Janeiro, passou a realizar cirurgias roboticamente.

O médico acredita que seria diferente se tivesse tido chance de interagir com robôs na escola ou na faculdade -- um exemplo de que, quanto mais o tempo passa, mais complicada se torna a transição do “analógico” para o “digital”. Porém, vencido o desafio, Ullyanov Toscano hoje tem a robótica como parte de seu dia a dia de trabalho.

O Da Vinci Xi é o mais moderno robô utilizado em cirurgias minimamente invasivas

Entre 2013, quando adquiriu o robô, e 2017, o INCa do Rio de Janeiro realizou cerca de 500 procedimentos com a tecnologia. Foi o primeiro hospital do Brasil a oferecer esse tipo de tratamento para pacientes do SUS. Ullyanov Toscano explica que a cirurgia robótica é menos invasiva e mais rápida, pode evitar cortes e reduz o tempo de operação em até 30 minutos.

O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, é pioneiro na cirurgia minimamente invasiva e robótica no Brasil. Realizou, entre 2008 e março de 2017, 5.641 procedimentos com ajuda dessa tecnologia. E no ano passado o Hospital Moriah, também em 2015 em São Paulo, adquiriu o Da Vinci Xi, o mais moderno do segmento, com imagens em 3D e quatro braços mais finos e de longo alcance, prometendo maior mobilidade, maior alcance e imagens mais nítidas para os cirurgiões.

Indústria amplia sua produtividade com o uso da robótica

No entanto, tem sido a indústria o setor a mais se utilizar da robótica, sobretudo a indústria automobilística – para onde foram 125.500 dos 387.000 robôs industriais vendidos no ano passado (21% do total), de acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR). Por outro lado, a utilização dessas máquinas teve maior crescimento nas indústrias de metal, eletro-eletrônicos e de alimentos, se considerarmos o número de máquinas adquiridas em 2017 (respectivamente, 55%, 33% e 19% a mais que em 2016).

O Brasil, porém, se mantém bem longe dos números de China, Japão e Coreia do Sul, principais compradores de robôs industriais. Em 2016, nosso país adquiriu 1.800 unidades e a perspectiva para 2019 é de que o número chegue a 3.500 – quando no Japão a expectativa é de 43 mil novos robôs. Números que mostram o quanto o uso industrial da robótica por aqui é emergente e tem muito a crescer.

Robôs em ação nas fábricas: mais produtividade e mais segurança

Mesmo assim, Diego Gonçalves, especialista em manutenção da General Motors de Gravataí (RS), observa que houve grande transformação no dia a dia da fábrica. “Lembro que, quando entrei na GM, em 2000, havia muitas máquinas manuais e os desafios da área eram inúmeros. Com a chegada dos robôs, tivemos vários benefícios, incluindo o aumento da produtividade, e o mais importante, da segurança”, ressalta Gonçalves.


E quanto ao desemprego que seria causado pela mecanização? Diego lembra que os robôs fazem o serviço mais bruto e repetitivo e, portanto, não substituem completamente os humanos. “Tenho técnicos para programar o robô e técnicos para fazer a manutenção dele”, ressalta. Ou seja, são necessários inventores, engenheiros, operários e mecânicos para projetar, construir, operar e fazer a manutenção das máquinas, o que indica um aumento nas vagas para quem tem mais qualificação.