Preparando para o Futuro

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No SENAI, ensino técnico valoriza competências pessoais do aluno

Instituição promove em seus cursos a aprendizagem de acordo com necessidades específicas de cada aluno. Pesquisa mostra efeito dessa formação no mercado de trabalho.

Posicionando-se na vanguarda da educação, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) vem, nas últimas décadas, incorporando novas tecnologias, aprendizagem adaptativa e inteligência artificial para promover as interações de ensino e mediar a aprendizagem de acordo com a necessidades específicas de cada aluno.

Isso coloca a instituição em sintoniza com uma nova realidade do mercado, em que as competências socioemocionais de cada profissional têm ganhado importância tão grande ou maior do que as suas habilidades técnicas. Chamadas de soft skills, essas competências envolvem habilidades como facilidade para trabalhar em equipe, resolver problemas e ter postura ética, por exemplo.

Alunos de eletrotécnica do SENAI: 95% das empresas preferem contratar profissionais formados pela instituição

O resultado disso pôde ser medido na mais recente Pesquisa de Acompanhamento de Egressos divulgada pelo SENAI, Painel 2015-2017, em que a avaliação das capacidades não cognitivas é um dos indicadores de destaque. O estudo monitora resultados da educação profissional relacionados aos estudantes e às empresas.

De acordo com a pesquisa, numa escala de 1 a 10, os técnicos formados pelo SENAI, quando avaliados por seus supervisores diretos, alcançam uma média de 8,5 no que se refere à aplicação de princípios éticos no trabalho, capacidade de negociação, trabalho em equipe, resolução de problemas e flexibilidade para lidar com mudanças.

Aprendizado mais amplo, maior qualificação

Os ex-alunos também atestam o efeito desse ensino, que prepara o técnico sem deixar de dar atenção a suas especificidades pessoais. “O SENAI abriu minha visão de mercado e me tornou um profissional muito melhor”, afirma Junior Gonçalves de Souza, formado em eletroeletrônica pelo SENAI de Rondonópolis/MT.

Além do conhecimento técnico, aprendi muito sobre gestão, administração de tempo, planejamento e alcance de metas. Isso valeu para minha vida como um todo" Junior Gonçalves de Souza, técnico em eletroeletrônica formado pelo SENAI

Junior conquistou uma vaga de estágio no Grupo Petrópolis, segunda maior cervejaria do Brasil, poucos meses depois de iniciar o curso técnico. Hoje, aos 23 anos, ele freqüenta o sexto semestre de Engenharia de Controle e Automação, na Faculdade UNIP de Rondonópolis.

Técnicos formados pelo SENAI têm sido preferidos para contratação não só na indústria, mas também em outras atividades econômicas

Mercado reconhece formação diferenciada

Para o gestor de qualidade da Tecnilange Usinagem Industrial, João Luiz Nopes, as soft skills afetam diretamente a performance na área de atuação e a adaptação a um novo cargo ou a uma nova empresa. E ele percebe isso nos técnicos formados pelo SENAI que hoje atuam na Tecnilange. “Eles chegam sabendo o que fazer e como fazer”, diz.

A especialista em Gestão de Pessoas da Philip Morris, Daniela Metzger, concorda. “Percebemos que eles vêm preparados de uma forma mais sistêmica, inclusive em termos de gestão”.  Por isso, segundo ela, a Philip Morris prioriza a contratação de ex-alunos da instituição.

De fato, essas competências sempre foram importantes no mercado de trabalho. As empresas reconhecem no SENAI, por exemplo, uma capacidade, há décadas, de trabalhar com seus alunos as competências socioemocionais” Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI

Rafael Lucchesi ressalta que é comum que outras atividades econômicas contratem pessoas formadas pelo SENAI. “E quando você pergunta o motivo, as empresas dizem que é porque a formação conta com um conjunto de valores, que podemos chamar de ethos, importantes para os trabalhadores serem mais produtivos”, afirma.

De fato, a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos revela que 95% das indústrias têm preferência por profissionais formados no SENAI. E uma vez empregados, ele não decepcionam: numa escala de 0 a 10, a nota de satisfação das empresas com os ex-alunos do SENAI é de 8,6. Além disso, 6 em cada dez desses ex-alunos estão colocados no mercado de trabalho.

Rafael Lucchesi defende um novo modelo de escola, que permita a mais jovens a profissionalização por meio da de educação profissional.

Educação adaptada às novas necessidades

Apesar da experiência bem-sucedida dos cursos técnicos do SENAI, as exigências impostas ao profissional por um mercado que se transforma cada vez mais rapidamente apontam para a necessidade de uma adaptação do ensino em todos os níveis a essa nova realidade, acredita o diretor de Operações do Serviço Social da Indústria (SESI), Paulo Mól.

“O modelo de educação estruturado que conhecemos foi bem sucedido, mas precisa passar por transformações, em grande parte porque as pessoas têm hoje acesso a informação muito rapidamente. Os professores precisam se preparar para essa nova realidade”, ele afirma.

A discussão na educação é muito importante, principalmente pelo método de se educar, que hoje requer uma mudança bastante séria do que foi o método do século 20” Paulo Mól, diretor de Operações do Serviço Social da Indústria (SESI)

Para Rafael Lucchesi, que também é diretor-superintendente do SESI, é necessário mudar a matriz educacional e construir um novo modelo de escola para permitir que mais jovens brasileiros tenham uma profissão por meio de cursos de educação profissional.

"Temos um problema no ensino médio, precisamos ter mais formação técnica, que dialoga com as novas competências exigidas pelo novo mundo do trabalho. Precisamos ter a cabeça aberta para construir um novo modelo de escola”.