Preparando para o Futuro

Quer saber como o SESI e o SENAI estão se preparando para o futuro e como isso pode mudar a sua vida? É fácil: acompanhe as edições da nossa revista digital. Você vai encontrar reportagens multimídia sobre educação, inovação e muita tecnologia!

Novos métodos pedagógicos sustentam a Indústria 4.0

Internet das coisas, robótica avançada, impressão 3D, manufatura híbrida, big data, computação em nuvem, inteligência artificial e sistemas de simulação virtual são as principais tecnologias da Indústria 4.0.

Como nos prepararemos para educar o profissional nesta nova fase e, ao mesmo tempo, acompanharmos e entendermos tantas novidades?

A Indústria 4.0 traz um cenário inovador para a indústria e a sociedade. As mais recentes tecnologias estão demandando a rápida compreensão das novas atividades econômicas que estão sendo criadas. Diversas profissões estão perdendo relevância e muitas outras sendo criadas para atender o momento da indústria.

Indústria 4.0

Para os profissionais de pedagogia, o desafio é entender o momento, converter em conhecimento e adaptá-lo para transmitir o aprendizado para os novos profissionais que atuarão na indústria. Tudo em espaços de tempo muito curtos e que se reduzem cada dia mais.

Os professores e as estruturas educacionais têm um grande desafio à frente para acompanhar a nova dinâmica da Indústria 4.0

Os jovens que chegam ao mercado de trabalho terão que entender que a combinação entre as novas tecnologias abre um leque inédito de possibilidades, novos negócios e solução de antigos problemas. Trazem uma nova visão sobre prioridades profissionais e pessoais, diferente dos profissionais que vivenciaram as transformações do mercado de trabalho durante o século XX nas fases da Indústria 2.0 e 3.0. 

Processos mais ágeis representam maior produtividade na indústria, que, por sua vez, refletem-se em mais investimento e mais empregos. Há uma grande oportunidade de tornar o setor industrial mais produtivo e inovador e, consequentemente, mais competitivo. 

Na Indústria 4.0, as tecnologias ganham maior integração e há uma fusão entre os mundos físico e virtual. A principal diferença em relação às demais revoluções industriais está na velocidade das transformações produzidas pela digitalização e integração de tecnologias. 

Diversos benefícios já estão acessíveis à sociedade. Citando alguns entre muitos outros que trazem mais conforto e melhoram a qualidade de nossas vidas:

  • Acesso remoto à saúde
  • Cidades inteligentes
  • Mobilidade urbana

Geração de energia a partir de novas fontes

A evolução do processo de aprendizagem se ajustando às necessidades da indústria

Ao longo das diversas revoluções industriais, desde o final do século XVIII, a educação teve que se moldar aos novos contextos para poder formar profissionais, transmitindo os conhecimentos para as gerações dos novos trabalhadores para atender as necessidades da indústria

O modelo de ensino e pesquisa a partir das Escolas Politécnicas, surgidas na França durante a primeira fase industrial e tendo como foco a engenharia, foi pioneiro no atendimento das necessidades da indústria. Estas escolas se difundiram por todo o mundo, sustentando a inovação e a evolução dos processos industriais que se sucederam.

A partir do início do século XX, a Indústria 2.0 trouxe a produção industrial em série, com processos mais dinâmicos e quantidades de produção em maior escala. O novo contingente de consumidores de produtos inovadores e em quantidades crescentes promoveu a evolução dessa fase industrial.

Essa fase da indústria manteve contínuos investimentos em capacitação de mão de obra, inovação e pesquisas. Com a atuação e apoio de entidades como o SENAI, soma-se ao mercado de trabalho um grande contingente de profissionais com perfil técnico, com conhecimentos específicos sobre diversos processos de industrialização.

Ambiente de ensino técnico durante a fase da Indústria 2.0

Dentro da estrutura do SENAI, ao longo dos seus mais de 76 anos de atividades, o modelo pedagógico adotado sempre buscou preparar os profissionais para atender os desafios da evolução da indústria.

Essa competência se confirma na fase da Indústria 3.0 que se inicia na década de 70, com a adoção de tecnologia da informação e de produtos eletrônicos. Nos últimos 30 anos, vimos a rápida evolução dos computadores e suas capacidades de processamento e armazenagem em discos rígidos e na nuvem, popularização de telefones inteligentes, a proliferação da Internet e das estruturas de telecomunicação, entre outros.

Os cursos técnicos se fortaleceram nas fases da Indústria 2.0 e 3.0, oferecendo opções aderentes às novas necessidades da indústria

O modelo educacional dos cursos técnicos evoluiu com a necessidade de formação de mão de obra qualificada com novo perfil. Passaram a oferecer conhecimentos específicos sobre diversas novas profissões que puderam ser aplicados diretamente nas atividades industriais. 

A informação hoje não está mais só com o professor. O aluno não vai mais aguentar alguém só falando por uma, duas, três horas, só escutar. Temos uma Escola do século XIX, um Professor do século XX e um Aluno do século XXI Mozart N. Ramos, especialista em Educação e diretor do Instituto Ayrton Senna.

Sala de aula SENAI – Ambiente interativo e com apoio de tecnologia

O mais recente desafio da indústria na atual fase 4.0, com a integração de tecnologias e virtualização de diversos processos, é acompanhar as rápidas transformações tecnológicas. O ambiente de ensino, incluindo as salas de aulas, apresentação  de conteúdo e a dinâmica de relacionamento entre alunos e professores requerem uma nova estrutura  para ser eficaz e atender as necessidades do momento.

Um bom desafio para a educação: preparar o profissional que inserirá o Brasil na 4ª Revolução Industrial

A inovação impulsiona a economia como um todo. As indústrias e as escolas têm que investir continuamente em processos melhores e mais eficazes para atender as demandas da sociedade. "A conversa entre a ciência feita nas universidades e as empresas se dá em tempos diferentes. Para a indústria, ela é pautada em resultados e em nota fiscal. No passado, dava para deixar isso de lado, mas agora é preciso fazer inovação porque o mundo todo está fazendo e é preciso competir", avalia o especialista em inovação Alexandre Alves, diretor-sócio da Inseed Investimentos, uma gestora de recursos focada em investimentos em pequenas empresas e startups de base tecnológica.

Criado em 22 de janeiro de 1942 para ajudar o Brasil a se industrializar, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial continua fundamental ao país: qualifica hoje os trabalhadores para gerir processos industriais digitais e conectados. Com foco em desenvolvimento tecnológico e inovação, o SENAI implantou uma rede nacional com  Institutos de Inovação e Institutos de Tecnologia que promovem a difusão de tecnologias ao longo das cadeias produtivas e o desenvolvimento de soluções ágeis, inovadoras e sob medida para indústrias de todos os portes.

A estrutura pedagógica do SENAI passa continuamente por processos de modernização para atender às necessidades de modernização tecnológica das indústrias. E os ciclos de revisão dos processos e dos métodos pedagógicos têm os prazos reduzidos nos tempos recentes devido à velocidade de desenvolvimento, implantação e integração das novas tecnologias da Indústria 4.0.

A busca por profissionais que estejam aptos a trabalhar nessa nova indústria esbarrou na formação universitária e técnica. Por consequência, os cursos têm um grande desafio de se reinventar. Mas para que se tenha ali um ensino diferenciado, os alunos têm também que partir de uma base de formação diferente do que ainda é fornecida na educação básica - massivamente ancorada na reprodução mecânica do conteúdo adquirido ao longo de anos nas provas e nos vestibulares. 

Sem o aprendizado de habilidades e competências, no lugar de conteúdo, as pessoas formadas neste perfil de escola no modelo atual terão dificuldade de se adaptar a realidades que se apresentem diferentes do que vivenciam. Ou seja, terão dificuldade de se adaptar às mudanças que certamente enfrentarão na sua vida profissional.

Segundo o relatório “The Future of Jobs” do World Economic Forum, estima-se que 65% das crianças entrando no ensino fundamental hoje, trabalharão em empregos que não existem e as respectivas metodologias de ensino não contemplam as novidades. 

A única educação que pode responder a isso é a que privilegia o desenvolvimento de habilidades e competências

Para isso, é necessária a aplicação de novas metodologias de ensino e também que um novo ecossistema de profissionais e de empresas seja criado para apoiar a transformação.

Em alguns casos isolados, escolas privadas e públicas têm se esforçado para fazer essa transformação, mas ainda sem grande escala de alcance.

O SENAI está atento a tais perspectivas de adoção de novas tecnologias e se prepara continuamente para atender às necessidades da indústria promovendo novos cursos técnicos e buscando novos modelos pedagógicos. Em 2018, vai oferecer 11 cursos de aperfeiçoamento para qualificar os profissionais que vão trabalhar com tecnologias da indústria 4.0. 

Dentro da estrutura do Serviço Social da Indústria (SESI), há um grande esforço na criação de métodos pedagógicos inovadores. Com aulas de robótica, matemática e de idiomas na educação básica até a educação continuada dentro das empresas, forma novos profissionais qualificados continuamente para atender as necessidades da indústria e promover a evolução social e econômica.

Nos novos cursos oferecidos pelo SENAI, os alunos terão conhecimentos introdutórios em temas como inteligência artificial, big data, internet das coisas, segurança cibernética, entre outros. A instituição já possui cursos de pós-graduação como o MBI (Master in Business Innovation) em Indústria Avançada, em Santa Catarina, e o MBI em Confecção 4.0, no Rio de Janeiro, oferecido pelo SENAI Cetiqt.

Inteligência Artificial e Robótica, ferramentas importantes e presentes nos novos modelos de ensino

Os estudantes de cursos técnicos em todo o país utilizam os aplicativos desenvolvidos para ajudar no ensino em sala de aula e em cursos a distância. Os alunos contam, por exemplo, com um aplicativo de realidade aumentada. 

Usando as câmeras de seus celulares ou tablets, os alunos interagem com imagens em 3D inseridos em outros materiais didáticos. Por meio da plataforma, os docentes conseguem contribuir com a publicação de conteúdos técnicos e acompanhar a evolução dos conhecimentos e aprendizagem dos alunos.

Aulas com suporte de robótica, outra ferramenta de ensino inovadora, faz parte da grade curricular nas escolas do SESI desde 2006. A robótica estimula o interesse dos estudantes pela ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática dentro do ambiente escolar. A robótica na educação básica contribui para a formação de mão de obra especializada para a indústria, que investe cada vez mais na robotização dos processos produtivos.

A robótica, a inteligência artificial e a automação são áreas estratégicas para a economia em todo o mundo

Atualmente, todas as 459 escolas do SESI que atuam com ensino fundamental e ensino médio de todo o país ofertam a robótica. São quase 190 mil alunos. Tudo isso para preparar os profissionais do presente que já atuam ou serão incorporados na Indústria 4.0. 

Desde 2009 a robótica é uma pedra angular do sistema educacional do SESI, gerando competências importantes para a vida pessoal e profissional dos jovens, como comunicação, liderança, ética e trabalho em equipe.

O SESI promove a participação dos seus alunos nos torneios anuais de robótica que contam com expressiva participação de jovens de todo o mundo. O mais recente World Festival, o principal torneio de robótica do mundo, ocorrido em Houston, Estados Unidos em abril de 2018, teve como campeões alunos do SESI com o primeiro e terceiro lugar. O torneio contou com 108 equipes de diversos países. Todos exercitando seus conhecimentos.

A adequação  pedagógica está presente em diversos cursos da Indústria 4.0. Entre os novos cursos do SENAI oferecidos em todo o Brasil (veja a lista), está o de Inteligência Artificial, onde estudantes adquirem conhecimentos para construir um sistema inteligente para realizar aplicações diversas.

Máquinas com inteligência artificial são programadas para realizar tarefas por conta própria, sem que pessoas precisem operá-las, e com capacidade de aprendizado. Serviços de streaming de vídeo a utilizam, por exemplo, para “aprender” o gosto de seus clientes por filmes e oferecer conteúdo de acordo com cada perfil.

De acordo com a pesquisa desenvolvida pelo The Boston Consulting Group (BCG) e divulgada em abril/2018, a maioria das indústrias no mundo (87%) pretende adotar inteligência artificial em seus processos nos próximos três anos. Empresas de transporte, logística, do setor automotivo e de tecnologia estão na vanguarda na implantação do uso de inteligência artificial. Saúde e energia são dois setores que indicam mais ambição de implantar IA no curto prazo. Entre os participantes da pesquisa, 93% relataram não ter competências suficientes disponíveis em sua empresa para implementar a IA nas operações; 29% disseram que sua empresa aumentou o número de funcionários dedicados à inteligência artificial, e 47% esperam que o número aumente nos próximos anos.

O ideal é que um curso como este ocorra numa estrutura de sala de aula com computadores e monitores de última geração e com boa capacidade de processamento de dados e imagens, conexão rápida de Internet, com professores muito bem preparados explicando na prática como programar e adotar a inteligência artificial interagindo com diversos bancos de dados e sistemas.

A educação com o uso de ferramentas inovadoras de realidade aumentada e robótica está mudando a relação entre professores e alunos. A interatividade e dinâmica estão alinhadas às expectativas dos alunos e permite aos professores melhor acompanhamento da qualidade do ensino. 

Estruturas inovadoras auxiliando no processo de aprendizagem

O SENAI investe continuamente em estruturas inovadoras para que possa educar novos profissionais e atender as necessidades da indústria e do mercado. 

Um dos melhores exemplos está no segmento de moda. A moda do futuro chegou na indústria brasileira e o protagonista desse desembarque foi o SENAI CETIQT - braço da entidade voltado para a indústria têxtil e da moda, e responsável por consultorias para o setor e qualificação profissional.

A Fábrica Modelo de Confecção 4.0 tem um protótipo desenvolvido para que o cliente crie a própria roupa. Tudo começa com a interação entre a pessoa e uma tela e termina com o produto pronto, processo que leva menos de meia hora.

Fábrica Modelo de Confecção 4.0, SENAI CETIQT, Unidade Riachuelo, Rio de Janeiro

Robson Wanka, engenheiro que está à frente desta iniciativa, explica que essa é a primeira Planta Piloto de Confecção 4.0 no Brasil, projeto que faz parte do planejamento estratégico do SENAI CETIQT. Segundo ele, existe uma iniciativa um pouco parecida em Aachen. na Alemanha, na Digital Capability Center, contudo o foco e processo produtivo são completamente diferentes, inclusive na adoção de tecnologias.

O SENAI CETIQT tem um curso de pós-graduação para capacitar empresas a implementarem modelo de Confecção 4.0 no Brasil. Com seis meses de duração, aliando encontros presenciais e aulas a distância, o curso vai qualificar profissionais da área têxtil, de vestuário e confecção na criação de novos projetos para o salto da Indústria 4.0.

O resultado: profissionais mais bem preparados e produtividade maior na indústria

Novos métodos pedagógicos gerando resultados, na prática

Os alunos do SENAI vivenciam o futuro durante as aulas há alguns anos. E esta experiência faz toda a diferença no envolvimento com os temas ministrados e na absorção dos novos conhecimentos. O método pedagógico que vem sendo adotado em diversos cursos inclui o uso de inovações tecnológicas no formato de apresentação do conteúdo e em processos interativos com os professores e coordenadores.

Tecnologia de Realidade Virtual Aumentada

Novos modelos pedagógicos, privilegiando a interatividade, transformam positivamente a relação entre todos os participantes do processo educacional, resultando em profissionais mais qualificados e com atuação mais relevante no mercado de trabalho.