Preparando para o Futuro

Quer saber como o SESI e o SENAI estão se preparando para o futuro e como isso pode mudar a sua vida? É fácil: acompanhe as edições da nossa revista digital. Você vai encontrar reportagens multimídia sobre educação, inovação e muita tecnologia!

Indústria terá pelo menos 30 novas profissões na próxima década

Levantamento do SENAI mostra quais serão essas novas funções. Elas terão salário médio de até R$ 5 mil e vão exigir dos profissionais muito mais do que um conhecimento técnico específico

Nos próximos 10 anos, surgirão pelo menos 30 novas profissões na indústria. Para segui-las, os profissionais precisarão estar aptos a conciliar competências técnicas e emocionais com boa formação educacional. Também deverão estar informados sobre o que ocorre diariamente no Brasil e no mundo. Ou seja, não bastará ter um conhecimento técnico específico.

Com salários médios que podem chegar a R$ 5 mil, essas profissões vão exigir tanto formação em ensino médio quanto superior. E estão voltadas a oito setores industriais: automotivo, alimentos e bebidas, construção civil, têxtil e vestuário, tecnologias da informação e comunicação, máquinas e ferramentas, química e petroquímica e petróleo e gás.

Esses dados são resultado de levantamento feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para analisar como as novas tecnologias estão influenciando a dinâmica da indústria no Brasil. Além de mapear as profissões que serão criadas a partir do uso de novas máquinas e equipamentos, o estudo aponta as já existentes que vão ganhar relevância nos próximos anos.

 

As novas tecnologias vão redefinir os modos de produção e, por consequência, o mercado de trabalho

No setor automotivo, por exemplo, os mecânicos e técnicos de manutenção automotiva serão mais demandados. Por outro lado, a robotização de linhas de produção, a comunicação de máquinas por meio da IoT e o uso de impressoras 3D e simuladores vão exigir novos profissionais, como o especialista em telemetria, programador capaz de realizar diagnóstico e reparo em redes eletrônicas, e mecânico de veículos híbridos, que realizará diagnósticos de motores a combustão interna e/ou elétricos e atividades de manutenções veículos híbridos.

Segundo o estudo, de 11% a 30% das empresas do setor demandarão esses profissionais nos próximos cinco anos. No mesmo período de tempo, 10% de empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação vão precisar de um programador habilitado a usar softwares customizados para automatizar e centralizar todos os processos de uma fábrica. Surgirá então a função de engenheiro de softwares.

Em breve, portanto, não soará estranho ouvir alguém dizer que trabalha numa dessas funções. Ou que é um especialista em aplicações para rastreabilidade de alimentos, um operador de High Speed Machine, um integrador de sistema de automação predial ou, ainda, um designer de tecidos avançados.

Confira no vídeo a lista de novas profissões:

Transformação, sem perda de postos de trabalho

O estudo do SENAI, portanto, reforça a tese de que a Indústria 4.0 – como é chamada a integração entre mundo físico e virtual por meio de tecnologias digitais – será marcada pela transformação da estrutura de emprego e das formas de contratação do trabalho. E não pela destruição dos postos de trabalho.

A tendência é que as novas tecnologias poupem as pessoas do trabalho com repetição e criem novas oportunidades para interpretação e criticidade de dados, além de tomada de decisões mais avançadas a partir de inteligência artificial. Tudo isso vai propiciar novas formas de ocupação" Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio-SP, José Pastore ressalta que os seres humanos sempre tiveram medo do avanço tecnológico, mas a própria história mostra a falsidade desse modo de pensar.

A chegada das novas tecnologias na agricultura, por exemplo, esvaziou os empregos no campo, mas criou uma enormidade de postos de trabalho na economia em geral. As máquinas que substituíram os artesãos pela produção em série fizeram o mesmo serviço -- o emprego explodiu nas cidades”, afirma Pastore.

Nova realidade vai exigir formação constante

No entanto, a nova realidade vai exigir muito mais dos profissionais, que precisam estar preparados para enfrentar um mercado em constante mudança. Estudiosos do assunto preveem que, nas próximas gerações, uma pessoa poderá ter até cinco profissões durante a vida, uma vez que muitas delas ficarão obsoletas.

De olho nesse novo mercado de trabalho, o SENAI começa a ajustar cursos e currículos às que estão surgindo. O gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI, Felipe Morgado, explica que os cursos técnicos de automação industrial e mecatrônica passaram por adaptações nos últimos anos para garantir formação de excelência.

O modo de produção industrial está passando por uma revolução, e as mudanças devem estender-se às salas de aulas. O SENAI está incorporando novas tecnologias, aprendizagem adaptativa e inteligência artificial, para promover as interações de ensino e mediar a aprendizagem de acordo com a necessidades específicas de cada aluno” Felipe Morgado, gerente-executivo de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI

Atento às novas necessidades do mercado de trabalho, SENAI lança em Campo Grande (MS) o curso Piloto de Drone

“O profissional do futuro nunca vai parar de estudar”, acrescenta o professor de inovação e futuro dos negócios do IBMEC/DF, Marcelo Minutti. Ele explica que a internet acelerou processos de mudanças no mercado de trabalho e permitiu mais participantes nos processos criativos.

 “Quem está no mercado deve ficar de olho na dinâmica que está acontecendo. Para os jovens que vão entrar no mercado de trabalho, fica mais difícil. Por isso, a importância de bons tutores”, assegura Marcelo Minutti.

O futuro começa bem cedo

Diante desse cenário, fica evidente a importância de se estimular a proatividade e empreendedorismo nos jovens desde a infância. Ou seja, o segredo para impulsionar o mercado de trabalho brasileiro está na educação, por meio do acompanhamento das mudanças tecnológicas e da promoção da inovação.

Professora do MBA da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP) e consultora de UX/UI, Carla Bona acredita que o futuro está diretamente relacionado a como vamos aprender a lidar com o próprio futuro. "Quando a gente pensa no ensino, a gente tem que abandonar as ferramentas e pensar muito mais nas habilidades interpessoais", afirma.